Por: Eduardo
A reabertura dos trabalhos no Congresso Nacional e no Judiciário nesta segunda-feira (02/02) deu o pontapé inicial em um ano legislativo que já nasce com data de validade. Nos bastidores e nos discursos oficiais de Brasília, a palavra de ordem é urgência, mas o que realmente move os corredores do poder é o cálculo eleitoral de 2026.
Com Hugo Motta na Câmara e Davi Alcolumbre no Senado, o Legislativo tenta equilibrar uma agenda de forte apelo popular, como a PEC que propõe o fim da jornada 6×1, com pautas espinhosas que o governo Lula considera vitais para sua sobrevivência política, especialmente no campo da Segurança Pública.
O grande temor, no entanto, é que o “recesso branco” chegue mais cedo; em anos de eleição geral, o esvaziamento do plenário após o mês de maio é uma regra quase absoluta, o que obriga as lideranças a tentarem liquidar votações polêmicas, como a sabatina de Jorge Messias para o STF e a reforma tributária, em um ritmo frenético de apenas noventa dias.
Enquanto o Judiciário sinaliza uma postura de autoproteção institucional com a criação de um inédito Código de Ética para os ministros do Supremo, o Congresso se torna uma arena de barganhas orçamentárias. Parlamentares de todos os espectros políticos já admitem, reservadamente, que qualquer projeto que não traga retorno imediato nas bases eleitorais ou que gere desgaste nas redes sociais será empurrado para 2027.
Essa paralisia técnica em prol do palanque é o maior desafio do governo, que tenta emplacar a PEC da Segurança para estancar a perda de popularidade no tema, enquanto a oposição articula investigações e CPIs para desgastar a imagem do Planalto antes do início oficial da campanha.
O resultado desse cenário é um Brasília que opera sob a pressão de um cronômetro implacável, onde o interesse público muitas vezes acaba submetido à estratégia de sobrevivência nas urnas que serão abertas daqui a alguns meses.
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