Por Waldemar Oliveira
O transporte intermunicipal é um dos serviços mais sensíveis e estratégicos para Pernambuco. É ele que garante o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, idosos e famílias que dependem do ônibus para acessar emprego, educação, saúde e serviços básicos. No Interior, muitas vezes, não é alternativa, é necessidade.
É nesse contexto que a Caruaruense se tornou referência. Fundada em 1959, a empresa atravessou décadas operando linhas essenciais, especialmente no Agreste, conectando municípios, encurtando distâncias e ajudando a sustentar a vida econômica e social de milhares de pernambucanos. São mais de 60 anos de presença em um serviço que, para muita gente, é o que torna possível trabalhar, estudar e viver com dignidade.
Uma história desse tamanho não se improvisa. Ela se constrói com continuidade, responsabilidade e relação direta com a população. Por isso, a Caruaruense carrega um peso que vai além do aspecto operacional. Trata-se de um símbolo de tradição e confiança pública, que marcou gerações e ajudou a estruturar a mobilidade do Estado.
Diante de um cenário tão sensível, preocupa quando o debate se desloca do que realmente importa e passa a ser conduzido por ruído, disputa e tentativa de desgaste. Em temas assim, Pernambuco precisa de serenidade e compromisso com soluções, não de um ambiente que amplia instabilidade e incerteza em torno de um serviço essencial.
O resultado desse tipo de instabilidade é conhecido. Ele não recai sobre quem tem carro particular e alternativas de deslocamento. Ele recai sobre quem mais precisa, a população que usa o transporte público todos os dias, que depende de horários, linhas regulares e previsibilidade para manter a própria rotina.
Por isso, mais do que nunca, é hora de reafirmar uma posição clara. O transporte intermunicipal deve ser protegido como política pública e tratado com responsabilidade. E empresas que construíram uma trajetória histórica de serviço ao povo pernambucano merecem respeito institucional e um debate à altura da importância que representam.
No fim, o que deve prevalecer é o interesse coletivo. Porque acima de qualquer disputa está o direito de ir e vir do povo pernambucano, e é ele que não pode pagar a conta de um ambiente que não ajuda a resolver, apenas a desgastar.
Blog do Didi Galvão

