Quando se fala em MDB, logo vem à memória a luta pela redemocratização do Brasil. De 1964 a 1985, foi o MDB que manteve luta permanente para que os brasileiros pudessem ter de volta a liberdade política. Nesse período, grandes lideranças surgiram na política nacional, entre eles Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Fernando Lyra, Franco Montouro, Pedro Simon, Cristina Tavares, Marcos Freire e, é claro, Jarbas Vasconcelos.
O MDB de Jarbas Vasconcelos sustentou-se na oposição ao regime militar até o partido vencer a eleição para presidente da República em 1985. A disputa foi no Colégio Eleitoral, onde Tancredo Neves venceu o governista Paulo Maluf. Com a morte de Tancredo Neves, ficou acordado entre os líderes políticos do partido e dos dissidentes do PDS que o vice José Sarney se filiaria ao MDB para assumir a presidência da República.
O velho MDB já esteve em outros confrontos internos em Pernambuco. Em 2018, o então senador Fernando Bezerra Coelho queria o comando da legenda para disputar o governo do estado. Jarbas entrou em cena e bateu de frente com o então presidente da legenda, Romero Jucá, saiu em defesa do ungido Raul Henry e venceu a disputa, mantendo o amigo no comando da legenda, e naquele ano foi eleito senador, com Dueire sendo seu suplente.
O velho MDB de guerra volta a travar confronto interno, a disputa é para saber quem vai ficar com o comando da legenda. O atual presidente Raul Henry sem apoio do padrinho Jarbas Vasconcelos, ou o senador Fernando Dueire que assumiu após renúncia de Jarbas. Mais que uma disputa para o comando do partido, o confronto interno do MDB tem tudo a ver com o rumo a ser tomado por grupos da legenda nas eleições de 2026.
O atual presidente do velho MDB de guerra comanda uma pasta na prefeitura do Recife, já o senador quer garantir espaço para tentar a reeleição no pleito eleitoral de 2026. Essa disputa interna entre Dueire e Henry fez com que a temperatura fosse elevada entre correligionários, até o já aposentado guerreiro do velho MDB foi acionado em defesa de Dueire e do filho Jarbinha. Resta saber quem vai levar a melhor, se o grupo Henry ou o grupo Dueire.
O senador Fernando Dueire (MDB-PE) sabe muito bem que do lado de João Campos não há espaço para suas pretensões. Por essa razão, aposta todas as fichas na disputa pelo comando da legenda, assim ganha musculatura para chegar em 2026 com o mandato de senador e uma respeitada legenda. Com esse pensamento visando à reeleição, Fernando Dueire sabe que sua única possibilidade é estar ao lado de Raquel.
O confronto pelo comando do velho MDB de guerra em Pernambuco deve acontecer no início do segundo semestre deste ano. Raul vai tentar manter-se na presidência e Dueire já disse que quer a legenda em suas mãos e conta com apoio de Jarbas pai e Jarbas filho. Agora é aguardar os próximos acontecimentos internos do MDB, saber quem tem mais apoio de lideranças da legenda nos diferentes municípios pernambucanos.