Uma operação integrada entre as forças de segurança de Pernambuco e o Exército Brasileiro resultou na recuperação de um fuzil e de 20 munições subtraídos, no dia 17 de outubro, do 7º Depósito de Suprimento do Exército, no Recife. O armamento foi localizado na noite desta terça-feira (27), no bairro do Pina, no Recife, após o recebimento de informações repassadas às equipes policiais. O material havia sido levado pelo soldado Pedro Gabriel Bezerra do Nascimento, que estava de serviço como sentinela e deixou o aquartelamento com seu armamento individual.
O fuzil foi encontrado desmontado e acondicionado em mochilas, em uma área da localidade. Segundo as equipes envolvidas na ocorrência, o material estava abandonado. A operação contou com a participação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) e do Exército Brasileiro, além da atuação do Ministério Público Militar.
De acordo com o delegado Diego Jardim, gestor da Divisão de Homicídios Metropolitana Norte da Polícia Civil (DHMN/PCPE), as equipes vinham realizando diligências desde o desaparecimento do armamento, a partir de informações obtidas em campo e denúncias anônimas.
“Já havíamos recebido denúncias sobre esse material e vínhamos realizando diligências. Na terça-feira, recebemos uma informação precisa de que o fuzil estaria no bairro do Pina. Comunicamos ao Exército e solicitamos o apoio das forças operativas para realizar uma grande operação. Após o cerco policial, encontramos o armamento desmontado e dentro de mochilas”, explicou o delegado.
Segundo Diego Jardim, a denúncia foi fundamental para direcionar as equipes ao local. O delegado ressaltou que a identidade dos denunciantes é preservada e que as informações recebidas são tratadas de forma sigilosa.
O gestor da DHMN informou ainda que a Polícia Civil atuou no apoio às buscas, no tratamento das informações e na articulação com o Exército, responsável pela condução do Inquérito Policial Militar (IPM). A investigação deverá esclarecer a dinâmica da subtração, o percurso do armamento após a saída do quartel e a eventual participação de outras pessoas.
“Temos informações preliminares de que um intermediário teria repassado o armamento a traficantes, mas não é possível confirmar, neste momento, quem seriam essas pessoas ou se há vínculo com alguma organização criminosa. Isso será apurado no inquérito”, afirmou.
A identificação definitiva do fuzil também dependerá de perícia. Conforme o delegado, a arma estava desmontada e apresentava a numeração raspada. A correspondência entre o material recuperado e o armamento subtraído será confirmada por meio de exame pericial. A quantidade de munições encontrada, segundo ele, coincide com a que havia sido levada do depósito militar.
ATUAÇÃO INTEGRADA
O major Cavalcanti, subcomandante do Batalhão de Radiopatrulha (BPRP) da Polícia Militar, destacou que a recuperação do armamento foi resultado da atuação conjunta das equipes e do direcionamento preciso da denúncia.
“A informação recebida foi muito precisa e permitiu que as equipes se deslocassem para o local. Não sabíamos o que encontraríamos, mas, felizmente, a situação foi tranquila e conseguimos cumprir a missão. A recuperação desse fuzil traz mais segurança para a sociedade e para os policiais que atuam nas ruas”, afirmou.
O oficial também chamou a atenção para os riscos associados à circulação de armas de uso restrito fora do controle das instituições responsáveis. Segundo ele, a retirada desse tipo de armamento das mãos de possíveis criminosos reduz o risco de que seja utilizado em confrontos ou em outras ações violentas.
INVESTIGAÇÃO MILITAR
O coronel Guaita, representante do Exército Brasileiro, ressaltou que a recuperação do fuzil foi resultado de esforços conjuntos mantidos desde o dia do desaparecimento do material. Segundo ele, a Polícia Militar e a Polícia Civil atuaram em cooperação com o Exército, com a participação do Ministério Público Militar e da Justiça Militar da União.
“Foi uma operação conjunta. A Polícia Militar e a Polícia Civil estiveram, a todo momento, em cooperação com o Exército Brasileiro desde o dia 17 de outubro. A integração de esforços culminou no sucesso da operação, com a recuperação do material e a prisão do soldado que havia evadido do quartel”, declarou.
O coronel informou que o Inquérito Policial Militar permanece em andamento para esclarecer as circunstâncias do caso, identificar os envolvidos e determinar a motivação da subtração. Pessoas consideradas testemunhas e possíveis participantes estão sendo ouvidas no curso da apuração.
Guaita também afirmou que as diligências realizadas pelo Exército foram autorizadas pela Justiça Militar. Em relação a eventuais questionamentos sobre materiais recolhidos durante as buscas, orientou que os interessados procurem o oficial encarregado do inquérito para apresentar informações e comprovar a origem dos bens.
O Comando Militar do Nordeste reiterou que não admite desvios ou apropriação indevida de materiais sob sua responsabilidade e destacou que as investigações prosseguirão para identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los conforme a legislação vigente, com respeito ao devido processo legal.
A apuração segue sob responsabilidade do Exército Brasileiro, por meio do Inquérito Policial Militar, que deverá esclarecer a trajetória do armamento desde sua retirada do depósito até o abandono no bairro do Pina, além de estabelecer as responsabilidades individuais dos envolvidos.
Blog do Didi Galvão

