Iniciativa do Coletivo MoviSertão reúne apresentações de Dança e Música após oficinas com estudantes da rede pública; programação contará com participação do grupo Filhos da Terra Sol
O projeto Identidades nas Periferias, realizado pelo Coletivo MoviSertão, promove nesta terça-feira (27) a culminância de sua primeira etapa, na Escola Eduardo Coelho, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio de edital municipal, o projeto tem como proposta democratizar o acesso à formação artística, estimular a expressão cultural e valorizar as identidades periféricas.
Nesta primeira etapa, 40 estudantes participaram das oficinas de Dança e Música realizadas entre os dias 19 e 27 de outubro, sob orientação do professor de música Léo Andrade e da professora de dança Fernanda Luz. A mostra acontece no turno da manhã e reunirá apresentações artísticas dos estudantes que participaram das oficinas, além de apresentações dos professores e do grupo Filhos da Terra Sol. A atividade também contará com intérprete de Libras.
Embora esteja localizada nas proximidades da região central de Petrolina, a Escola Eduardo Coelho atende majoritariamente estudantes de territórios periféricos. Segundo a organização, cerca de 90% dos alunos são moradores dos residenciais Vivendas e Monsenhor Bernardino, conjuntos habitacionais situados em áreas periféricas do município.
Na oficina de Música, os estudantes tiveram a oportunidade de confeccionar seus próprios instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis, unindo criatividade, musicalidade e sustentabilidade. A atividade mostrou como objetos que seriam descartados podem ganhar novos significados por meio da arte, estimulando a consciência ambiental e apresentando novas possibilidades de produção musical.
“A parte da construção dos instrumentos foi a mais bonita, pois eles perceberam que dava para produzir instrumentos e fazer música com qualquer coisa, inclusive o nome que eles quiseram dar para o projeto dessa escola foi ‘Orquestra de Sucata’”, conta Leo Andrade, produtor executivo do projeto e professor de música.
A culminância será um momento de compartilhamento das experiências construídas ao longo das oficinas, permitindo que os estudantes apresentem parte do aprendizado desenvolvido durante as atividades. A programação também marca o encerramento da primeira etapa do projeto, que seguirá com ações em outras duas escolas públicas de Petrolina.
“Eu sou o que sou por conta da dança, por conta da arte. A arte estruturou a minha leitura de mundo enquanto mulher, enquanto sertaneja do semiárido, aqui da caatinga. Eu sou oriunda da escola pública, então eu tenho o compromisso social de dar continuidade a isso”, afirma Fernanda Luz, produtora geral do projeto e professora de dança.


Blog do Didi Galvão

