Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber Flávio durante 2º turno

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que ele receba a visita do filho Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. O pedido foi apresentado na segunda-feira (5/10), após o resultado do primeiro turno das eleições, e encaminhado pelo relator à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação antes de uma decisão.

No requerimento, os advogados pedem o restabelecimento do regime regular de visitas ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar. De forma alternativa, caso Moraes não concorde com a retomada das regras anteriores, a defesa solicita autorização para uma única visita de Flávio, exclusivamente para fins familiares. O argumento é de que, diante das circunstâncias atuais e do tempo transcorrido, não haveria mais necessidade de manter um regime excepcionalmente restritivo.

A restrição à visita de Flávio foi determinada por Moraes em julho, após o senador ter participado de uma transmissão nas redes sociais em que leu uma carta enviada pelo pai. Na ocasião, o ministro entendeu que Flávio havia desrespeitado a determinação que impedia Bolsonaro de utilizar as redes sociais. A suspensão das visitas foi estabelecida por 90 dias e tem término previsto para domingo (11).

Além disso, Moraes determinou, em julho, que Bolsonaro não poderia receber visitas com finalidade de caráter “político-eleitoral” até o fim das eleições de 2026. A medida foi adotada no contexto das restrições impostas ao ex-presidente durante o cumprimento da prisão domiciliar. Segundo a defesa, a retomada da convivência familiar não prejudicaria as condições de segurança e fiscalização determinadas pelo Supremo.

Flávio afirmou que considera equivocada a decisão que o impede de visitar o pai e defendeu que o encontro tenha caráter exclusivamente familiar. O senador disse que, após o primeiro turno, não vê justificativa para continuar impedido de visitar Bolsonaro. “Não vejo por que ele impedir um filho de visitar o pai”, declarou. Segundo Flávio, a intenção seria abraçar o pai, verificar pessoalmente seu estado de saúde e evitar depender de informações repassadas por terceiros.

A solicitação ocorre em meio à disputa do segundo turno presidencial. Flávio terminou a primeira etapa da eleição à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma diferença de 1,87 ponto percentual. Os dois candidatos voltam às urnas em 25 de outubro. Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre a pena em regime domiciliar por razões de saúde.

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