“Não adianta ter conversa com a saúde se não tiver planejamento e resultado”, afirma João Campos

Candidato ao Governo de Pernambuco participou de sabatina do SindHosp e defendeu mais investimentos, planejamento e gestão para ampliar o atendimento na rede estadual

O candidato ao Governo de Pernambuco e líder da Frente Popular, João Campos, participou, nesta quarta-feira (30), de sabatina promovida pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Estabelecimentos de Saúde de Pernambuco (SindHosp). Durante a entrevista, João detalhou propostas para ampliar a capacidade da rede estadual, descentralizar serviços de alta complexidade e modernizar a gestão da saúde. A sabatina foi conduzida pelo presidente do SindHosp, George Meira Trigueiro, e contou com a participação do candidato a vice-governador, Carlos Costa.

Entre as principais propostas estão a construção de quatro novos hospitais, incluindo o Hospital Geral Metropolitano, com 900 leitos, e unidades no Sertão do Araripe, em Petrolina e no Agreste. A proposta do Hospital Geral Metropolitano já havia sido apresentada por João como uma unidade de referência para ampliar a oferta de média e alta complexidade na Região Metropolitana.

“Não adianta ter conversa com a saúde se não tiver orçamento para a saúde. A saúde precisa ter orçamento, precisa ter planejamento e precisa ter gestão. Tem dinheiro. O que está faltando é compromisso e gestão. Se você quer ampliar serviço, se quer colocar mais gente para ser atendida, se quer abrir novas unidades, precisa ter recurso para isso”, afirmou.

Transformação digital na Saúde

João também defendeu a interiorização dos serviços especializados, com a meta de que os pernambucanos estejam, no máximo, a duas horas de um equipamento de alta complexidade. A proposta busca reduzir os deslocamentos de pacientes do interior para a Região Metropolitana, especialmente para tratamentos como o de câncer.

“O que não dá é a maioria dos pacientes ter que andar 500 quilômetros para fazer um tratamento. Você pega uma pessoa que mora em Serra Talhada e precisa fazer um tratamento de câncer e ela tem que vir para o Recife. Isso não é razoável. A gente precisa fazer com que a alta complexidade chegue mais perto das pessoas”, afirmou.

Na oncologia, o candidato citou a implantação de um Centro de Tratamento de Câncer no Sertão, ao lado do Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada, como parte da estratégia de ampliar a oferta de serviços especializados no interior.

Prontuário eletrônico e gestão por resultados

Outra proposta apresentada foi a transformação digital da rede estadual, com a implantação de prontuário eletrônico e a integração das informações dos pacientes entre os diferentes serviços de saúde.

“A gente vai ter que fazer uma transformação digital na saúde. O prontuário eletrônico é fundamental. O paciente não pode chegar em um serviço e a informação dele ficar naquele lugar. É preciso ter interoperabilidade, saber o que ele já fez, quais exames já realizou, qual medicamento está tomando”, explicou.

Indústria da Saúde

O candidato ainda relacionou a expansão da rede de saúde ao desenvolvimento econômico e defendeu o fortalecimento da indústria de medicamentos e insumos em Pernambuco, com investimentos em produção, pesquisa e formação profissional.

“A gente precisa ser um hub industrial da área da saúde. Não adianta só comprar de fora. A gente precisa produzir aqui, formar as pessoas aqui e criar um ambiente para que essa indústria se desenvolva”, afirmou.

Durante a sabatina, João citou ainda as tratativas para a implantação de uma nova linha de produção de medicamentos injetáveis em Pernambuco, com investimento estimado em R$ 120 milhões. Segundo ele, a iniciativa integra a estratégia de formação de um ecossistema da saúde no Estado.

“Eu conversei com o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de Pernambuco ter uma linha de produção de injetáveis. A gente está falando de um investimento de R$ 120 milhões para construir uma nova linha. No começo, provavelmente, a produção será do medicamento na forma líquida, e depois a gente vai avançando. Mas isso exige também formação de mão de obra, porque não adianta construir a fábrica e não ter as pessoas preparadas. A gente precisa juntar indústria, laboratório, pesquisa, formação profissional e capacidade de produção. É assim que a gente constrói um ecossistema da saúde”, explicou.

Gestão e investimentos

João também criticou a condução da política estadual de saúde e defendeu uma repactuação da área. Segundo o candidato, a ampliação dos recursos disponíveis deveria ser acompanhada de mais investimentos e entregas na rede estadual.

“Não adianta falar de saúde se você não coloca no orçamento a saúde. Se você teve R$ 2,3 bilhões a mais e tirou quase R$ 700 milhões da saúde, fechou o leito, não avançou no serviço, não melhorou o Iasep e não discutiu com a rede complementar, então precisa fazer uma repactuação”, declarou.

Ao concluir sua participação, João reforçou que a saúde será tratada como uma prioridade de gestão, com foco na ampliação da rede, interiorização dos serviços, modernização e acompanhamento dos resultados.

“É preciso construir um tempo em que as coisas aconteçam de verdade, não apenas na fala, mas na ação. E a saúde é um exemplo disso. A gente precisa ter orçamento, gestão, planejamento e resultado. É isso que a população espera de quem está à frente do governo”, finalizou.

Fotos: _Marlon Diego_

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