Moraes: 8 perguntas que o ministro do STF ainda não respondeu sobre sua relação com Daniel Vorcaro

Mensagens sobre prisão, consulta sobre fuga, pedidos de ajuda, encontros, contrato milionário e benefícios à família seguem sem esclarecimento público

Materia de ‘O Tempo’

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ainda não explicou publicamente pontos centrais das mensagens, documentos e registros encontrados pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro que o envolvem diretamente com o ex-banqueiro fundador do Banco Master.

O material revela uma relação que incluiu encontros, conversas às vésperas da prisão do empresário e negócios contratuais com familiares do magistrado.

Até agora, a única reação de Moraes às circunstâncias da investigação foi acusar o ministro André Mendonça de irregularidades – além das gargalhadas após a sessão no dia seguinte às revelações registradas por um fotógrafo de O Globo –, mas deixou sem resposta questões sobre o conteúdo que provocou a crise no Supremo.

Procurada pela reportagem de O TEMPO em Brasília neste domingo (6/9), a Secretaria de Comunicação do STF informou que não há nenhuma manifestação do ministro a respeito das mensagens enviadas a ele por Daniel Vorcaro.

  1. O que Moraes respondeu quando Vorcaro perguntou se deveria deixar o país?

Dois dias antes de ser preso, Vorcaro enviou ao ministro uma das mensagens mais sensíveis encontradas pela PF: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na sequência, perguntou sobre o juiz responsável pelo caso, sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e se seria possível “fazer algo”.

A pergunta que permanece é objetiva: Moraes respondeu? E, se respondeu, o que disse?

As respostas não foram recuperadas pela perícia. Segundo a investigação, os interlocutores utilizavam imagens de visualização única, o que permitiu recuperar mensagens enviadas por Vorcaro (porque ele as mantinha salvas no bloco de notas), mas não o conteúdo de eventuais retornos do ministro.

  1. Vorcaro pediu ajuda contra a PF. Moraes tentou ajudá-lo?

À medida que a situação do Master se agravava, Vorcaro procurou o interlocutor identificado pela PF como Moraes para saber se havia conseguido “bloquear” medidas que considerava prejudiciais. Em outra frente, pediu que fossem acionados o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O relatório não confirma se esses pedidos foram atendidos. Mas Moraes também não esclareceu publicamente como reagiu ao receber as solicitações, se respondeu a elas e se procurou qualquer autoridade a pedido de Vorcaro.

  1. Por que Vorcaro dizia ter uma “gratidão de vida” tão grande por Moraes?

Outra mensagem chama atenção pelo grau de proximidade sugerido pelo próprio banqueiro. Vorcaro escreveu: “Estamos juntos sempre. Gratidão da minha vida a você.”

Até agora, não está explicado publicamente a que exatamente Vorcaro atribuía essa gratidão nem como Moraes definia a relação mantida com o empresário.

  1. Quantas vezes os dois realmente se encontraram – e para falar sobre o quê?

A PF encontrou referências a pelo menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro, entre 2024 e 2025, alguns deles em residências particulares. Há também mensagens indicando uma possível reunião na véspera da prisão do banqueiro. Nem todos os encontros mencionados nas conversas têm confirmação independente.

Moraes ainda não apresentou publicamente uma relação dos encontros que reconhece, quando ocorreram e quais assuntos foram tratados.

  1. Qual foi exatamente a participação de Moraes no contrato de R$ 131 milhões?

O Banco Master firmou contrato de aproximadamente R$ 131 milhões com o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Metade dos dados analisados pela PF indicaram que um perfil identificado com o nome de Moraes fez alterações na versão final do documento.

O escritório afirmou que o setor de conformidade consultou Moraes, como marido da sócia-diretora, para verificar eventuais impedimentos jurídicos. Mas permanece sem detalhamento público quais alterações ele fez, por que participou da elaboração e qual era seu conhecimento sobre os valores e condições da contratação.

  1. Por que o pagamento ao escritório era tratado como prioridade por Vorcaro?

As mensagens mostram Vorcaro pressionando subordinados para que os repasses ao escritório de Viviane Barci não atrasassem. Em uma delas, classificou aquele como “o pagamento mais importante que temos”.

A frase é de Vorcaro e, isoladamente, não comprova irregularidade. Ainda assim, permanece sem explicação pública por que o banqueiro atribuía tamanha importância ao contrato com a banca da família do ministro.

  1. E a proposta envolvendo avião e helicóptero?

A PF também encontrou uma segunda proposta de aproximadamente R$ 50 milhões, pela qual R$ 40 milhões seriam pagos mediante cotas de um avião Legacy 650 e de um helicóptero. O escritório afirma que a proposta não foi aceita nem resultou em um segundo contrato.

O ponto ainda pouco esclarecido é qual participação Moraes teve nas discussões envolvendo as aeronaves e em que condições integrantes de sua família utilizaram aviões relacionados ao grupo de Vorcaro.

  1. Por que filhos de Moraes receberam cartões com limite de R$ 300 mil?

Mensagens indicam que o Master autorizou cartões com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro. Uma executiva consultou Vorcaro sobre a emissão, e ele respondeu: “OK”.

O escritório informou que os cartões foram oferecidos pelo banco e jamais utilizados. Ainda falta esclarecer publicamente por que foram solicitados cartões ao Master, quais condições seriam aplicadas e por que uma operação envolvendo familiares do ministro chegou pessoalmente a Vorcaro.

O que Moraes já disse

Moraes já havia classificado como “ilação mentirosa” a associação de seu nome a diálogos divulgados anteriormente e negado ter recebido determinadas mensagens.

O escritório Barci de Moraes, por sua vez, apresentou explicações sobre o contrato, a proposta envolvendo aeronaves e os cartões. Essas manifestações, porém, não respondem ao conjunto de questões surgidas com a divulgação integral do novo relatório.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, determinou que Moraes preste informações no procedimento aberto para examinar a crise. A manifestação poderá ser a primeira oportunidade para que o ministro responda formalmente a parte das perguntas que, desde a abertura do relatório da PF, continuam sem esclarecimento público.

Verifique também

Prefeito de Salgueiro apresenta frota com mais de 30 veículos conquistados em um ano e oito meses de gestão

Na manhã deste sábado, 5, o prefeito de Salgueiro, Fabinho Lisandro, desfilou pelas ruas da …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

planetsorare.com/pt/ bonus de cassino online