O estudante de medicina João Lucas de Brito Freitas, de 24 anos, denunciou um comentário de cunho racista publicado em uma de suas redes sociais, na última quinta-feira (3). Ele decidiu tornar o caso público após receber o comentário na sua primeira foto usando jaleco, publicada no Instagram no início desta semana.
“Saudades de quando favelado não entrava em med [sic]… bons tempos”, escreveu o autor da mensagem.
Ao denunciar o episódio nas redes sociais, o estudante questionou: “Por que um médico favelado incomoda tanto?”
João Lucas afirmou que, apesar do teor da mensagem, não ficou surpreso com a existência de pessoas que pensem dessa forma. Segundo ele, não é a primeira vez que enfrenta episódios de racismo, tanto nas redes sociais quanto fora delas.
“Eu vi aquilo dali como uma forma onde finalmente foi documentada uma ação que, muitas vezes, passa despercebida diariamente”, explicou.
Segundo o estudante, o autor do comentário também é médico e mantinha o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) na bio do perfil do Instagram. A partir da informação, João conseguiu identificar o homem e registrou um boletim de ocorrência contra ele nesta sexta-feira (4). A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Pernambuco, mas até o momento da publicação, não recebeu retorno.
Mas além da denúncia, o jovem enxergou no episódio uma oportunidade de expor casos de racismo enfrentados por pessoas negras no país diariamente.
“Eu tinha ali algo que eu finalmente ia dizer: ‘Olha, gente, o que eu percebi. Olha o que eu passo. Agora vocês vão entender o que é que acontece quando o meu corpo acaba ocupando um lugar que a sociedade não esperava’”, afirmou.
João Lucas também fez questão de destacar que ser “favelado” não é, para ele, uma ofensa. Por isso, de acordo com o estudante, a publicação teve o objetivo de denunciar o episódio e, ao mesmo tempo, ressignificar o termo utilizado pelo autor do comentário.
Fonte: FolhaPE
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