Preso, Vorcaro teria prometido ‘confissão pública’ em delação

Segundo revista, nova proposta de delação estaria sendo feita com base em relatórios, dados de celulares, documentos e ‘infinidade de mensagens de poderosos’

Por ‘O Tempo’

Preso desde maço suspeito de comandar o maior esquema de fraude financeira do país, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria dito a interlocutores que iria fazer uma “confissão pública” e “explodir todo o sistema”. A informação foi publicada nesta sexta-feira (4/9) pela revista “Veja”.

Com a proximidade do período eleitoral, o ex-banqueiro iniciou uma movimentação para tentar fechar uma nova delação premiada. Vorcaro já teve duas propostas rejeitadas, tanto pela Polícia Federal, como pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a “Veja”, essa nova proposta de delação estaria sendo feita com base em relatórios, dados de celulares, documentos bancários do exterior e uma “infinidade de mensagens de poderosos”.

Denúncias contra PF

Na semana passada, Daniel Vorcaro foi ouvido por um juiz auxiliar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça em audiência com a presença do Ministério Público (MP), mas sem a participação da Polícia Federal (PF).

“O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, diz nota do gabinete de Mendonça.

A assessoria do ministro afirmou ainda que a lei exige presença de representante do MP nesse tipo de audiência, mas os policiais responsáveis pela investigação podem ser afastados para garantir a “incolumidade física e psicológica do depoente”.

“Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido”, diz o comunicado, citando resolução CNJ.

O texto continua: “Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”.

“O conteúdo da audiência é resguardado por sigilo legal. Registre-se, apenas, que a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes não procede”, ressalta o comunicado. A data exata do depoimento não foi revelada.

O depoimento a Mendonça veio à tona após reportagens revelarem que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, mantinha contato com Vorcaro e tratava com o ex-banqueiro sobre investigações contra o Master. No mesmo dia, Mendonça derrubou o sigilo do caso, com mensagens de Vorcaro e aliados sobre a relação com Moraes.

As mensagens mostram que Daniel Vorcaro pediu a Moraes para atuar junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para travar as investigações sobre a fraude bilionária cometida pelo ex-banqueiro.

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