Varejista enfrenta prejuízos bilionários, queda das ações e reestruturação para reduzir custos e ampliar vendas digitais
A Casas Bahia atravessa uma das maiores crises de sua história e iniciou um amplo processo de reestruturação que resultou no fechamento de 298 lojas entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14). A medida representa quase 30% da rede e pode provocar até 3 mil demissões, segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico. Inicialmente, a estimativa era de cerca de 1,9 mil desligamentos.
A redução da operação ocorre em meio a uma sequência de resultados negativos. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo de R$ 1,06 bilhão, mais que o dobro dos R$ 408 milhões perdidos no mesmo período de 2025. No ano passado, o prejuízo acumulado chegou a aproximadamente R$ 3 bilhões.
A crise também atingiu fortemente o mercado financeiro. As ações da Casas Bahia (BHIA3) fecharam esta sexta-feira a R$ 0,64, após queda de 1,54%. O papel acumula desvalorização de cerca de 80% em 2026, reduzindo o valor de mercado da empresa para aproximadamente R$ 660 milhões.
Criada em 1952 por Samuel Klein, a Casas Bahia se tornou uma das principais redes varejistas do país, especialmente na venda de móveis e eletrodomésticos. A redução atual, portanto, representa uma mudança significativa no tamanho de uma operação construída ao longo de décadas.
A empresa já vinha diminuindo a rede física. No fim de 2025, o grupo tinha 1.042 lojas, contra 1.064 em 2024 e 1.078 em 2023. Agora, o corte de quase 300 unidades amplia drasticamente esse movimento.
A estratégia prevê compensar parte da redução física com o comércio eletrônico. No primeiro trimestre, as vendas online de produtos próprios cresceram 26%, enquanto as vendas nas lojas recuaram 1,8%.
A Casas Bahia também enfrenta um elevado nível de endividamento. Em 2024, entrou em recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 4 bilhões em dívidas e obrigações. Desde então, vem renegociando prazos e buscando alternativas para melhorar o caixa.
A companhia adiou a divulgação do balanço do segundo trimestre e deve apresentar detalhes do novo plano de reestruturação na teleconferência com analistas, marcada para segunda-feira (17).
Blog do Didi Galvão

