A Trup Errante, de Petrolina (PE), atravessa o país neste mês de agosto com o espetáculo “Drummond, Confabulações Sertanejas”, uma história construída a partir da memória literária do Vale do São Francisco. Na próxima terça-feira (18), às 20h, o grupo apresenta a montagem no Teatro Dona Amélia, localizado no próprio município petrolinense, durante a Aldeia do Velho Chico. Logo depois, arruma as malas e segue com a peça para o Centro-Oeste para participar do 4º Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro, em Cuiabá (MT). Considerado um dos principais eventos culturais do Mato Grosso, o festival reúne artistas, grupos e companhias de diferentes regiões do país. Selecionado entre os trabalhos que integram a programação, o espetáculo será o único representante do Nordeste na edição deste ano.
A peça “Drummond, Confabulações Sertanejas” também leva ao centro do palco as experiências do ator José Lírio que, ao encontrar uma antiga edição do livro ‘A Rosa do Povo’, relembra a professora que, anos antes, lhe entregou a obra de Carlos Drummond de Andrade como quem planta um segredo. Entre memórias, poemas e inquietações, o público acompanha também um repórter cético em missão para escrever uma matéria sobre o Clube Drummondiano de Poesia, surgido no sertão nordestino em 1977. As narrativas se entrelaçam entre passado e presente, ficção e história real, evocando a força da palavra poética como herança e resistência. No centro de tudo, está o poeta Drummond: estrela-guia e confidente de uma geração que ousou transformar o mundo com versos.
Segundo o ator José Lírio Costa, que atua no solo teatral, a participação nos dois festivais marca um momento especial para a Trup Errante, que completa duas décadas de trajetória em 2026. “Ser o único espetáculo do Nordeste selecionado para o festival nos deixa muito felizes, especialmente em um ano tão simbólico para a Trup Errante comemorando 20 anos de trabalho. É uma oportunidade de levar para outro território uma história que nasce da memória literária de Petrolina, que é nossa e apresentar ao público de Cuiabá um pouco da nossa identidade, além de encontrar a cultura deles que tem o grande poeta Manoel de Barros. É o que faz sentido continuar atuando”, afirma.
O espetáculo tem texto assinado pelo escritor e jornalista Luís Osete (prêmio Jabuti), encenação de Thom Galiano, direção de arte de Diego Ravelly e trilha sonora original de Moesio Belfort, criação de vídeos e operação de Adriel Marques e orientação de Luiz Manoel. A montagem que estreou em 2025 estabelece uma relação entre a poesia e acontecimentos reais e elementos simbólicos do sertão e tecnologias, convocando a memória a estar presente. Antes de seguir para o Mato Grosso, o público do Vale do São Francisco pode prestigiar em casa, na programação da Aldeia do Velho Chico, cujos ingressos podem ser adquiridos no site do Sesc PE (https://eventos.sescpe.com.br/drummond/). A passagem da Trup Errante pela Aldeia também inclui o lançamento do livro MemóriasDoVale[en]Cena, no dia 20 de agosto; e a mesa “Comunidades Criativas: Dramaturgias do Território”, no dia 21 de agosto, ao lado do Coletivo Entre Rios e Sertões, de Juazeiro (BA), com mediação de Luiz Marcelo.
*Estelita chega a Bezerros* – Além da circulação de “Drummond, Confabulações Sertanejas”, a Trup Errante leva outro trabalho para a estrada em agosto. O espetáculo infantil “Estelita – Entre Fadas e Outros Bichos” será apresentado neste domingo (16), às 16h, em Bezerros (PE), durante o festival Pernambuco Meu País. Inspirado no conto infantil “Estelita”, da escritora Thalynni Lavor, a montagem acompanha uma formiga sonhadora que deseja experimentar diferentes formas de existir. Ao se transformar em abelha, chuva e rio, a personagem percorre uma jornada marcada por identidade, perseverança e respeito às diferenças. A adaptação, interpretação e direção são assinadas por Raphaela de Paula.
Blog do Didi Galvão

