Quando um filho do Sertão conquista o mundo

Por: Rinaldo Remígio

A vida tem dessas coincidências que nos fazem acreditar que Deus escreve belas histórias por linhas quase imperceptíveis.

Hoje, enquanto aguardava atendimento em uma clínica médica, tive a grata satisfação de reencontrar um velho amigo de Cabrobó, radicado em Petrolina, o Paulo Moraes, a quem conheço desde os primeiros anos de minha chegada a Petrolina.

A conversa seguiu o caminho natural das amizades antigas. Falamos da família, dos amigos em comum e das lembranças de um tempo em que a palavra ainda era o maior patrimônio de um homem. Em determinado momento, perguntei por Paulinho, seu filho.

A resposta veio imediata, acompanhada de um sorriso de quem contempla uma missão cumprida.

— Paulinho está a serviço da ONU, em Brasília.

Confesso que aquela simples frase despertou em mim uma sucessão de boas lembranças.

Conheci Paulinho ainda jovem. Na época em que tive a honra de presidir a FACAPE, ele esteve diversas vezes em nossa instituição, participando de eventos, seminários e encontros voltados às políticas públicas. Sempre representando, com competência, serenidade e profundo conhecimento, a secretaria que comandava. Já naquela época era possível perceber que estávamos diante de um profissional diferenciado, daqueles que não ocupam cargos por circunstância, mas por preparo.

Movido pela curiosidade e pela satisfação de rever um velho amigo, resolvi revisitar sua trajetória profissional. O resultado foi surpreendente.

Paulinho, ou melhor, Paulo Roberto Xavier de Moraes, construiu uma carreira que orgulha Petrolina, Pernambuco e todos aqueles que acreditam no poder transformador da educação. Advogado, professor de Direito Constitucional e Direitos Humanos, mestre em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Pernambuco, especialista em Direitos Humanos pela Universidade Federal da Paraíba e em Urbanismo Social pelo Insper, fez da defesa da cidadania uma verdadeira missão de vida.

Sua trajetória no serviço público impressiona. Exerceu o cargo de Secretário Executivo de Justiça e Direitos Humanos do Governo de Pernambuco, oportunidade em que coordenou importantes políticas públicas, ampliando as unidades do Procon/PE de sete para quarenta e cinco e fortalecendo programas voltados à proteção dos direitos fundamentais.

Posteriormente, assumiu a função de Secretário Executivo de Direitos Humanos da Prefeitura do Recife, onde participou da implantação das Câmaras de Mediação e Arbitragem nos COMPAZ, referência nacional na promoção da cultura de paz. Ocupou o cargo de Secretário Executivo de Segurança Cidadã da Prefeitura do Recife, liderando ações voltadas à prevenção da violência, mediação de conflitos e fortalecimento da cidadania.

Antes disso, também exerceu a função de Gerente-Geral da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, foi professor universitário e advogado do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (GAJOP), uma das instituições mais respeitadas do país na defesa dos direitos humanos.

Como se isso não bastasse, sua competência rompeu as fronteiras do Brasil. Passou a integrar o seleto Grupo de Especialistas em Proteção a Testemunhas da EUROPOL e colaborou com a Unidade de Proteção a Vítimas do Tribunal Penal Internacional de Haia, distinção reservada a profissionais de elevada qualificação técnica e reconhecida experiência internacional.

Hoje, encontra-se a serviço da Organização das Nações Unidas (ONU), em Brasília, levando consigo não apenas conhecimento técnico, mas a experiência de quem dedicou toda uma vida à construção de políticas públicas voltadas para a proteção da pessoa humana.

Enquanto conversava com seu pai, não enxergava apenas um cidadão orgulhoso do filho. Via estampado em seu rosto o sentimento mais nobre que um pai pode experimentar: a certeza de que os ensinamentos transmitidos ao longo da vida produziram frutos.

Sempre acreditei que os pais oferecem aos filhos duas grandes heranças. A primeira é o exemplo. A segunda, a oportunidade de estudar. Quando essas duas riquezas caminham juntas, dificilmente o destino deixa de sorrir.

A história de Paulinho confirma essa verdade.

Não conheço outra estrada capaz de conduzir alguém do Sertão pernambucano aos mais elevados organismos internacionais que não seja a combinação entre estudo, dedicação, ética, competência e compromisso com o bem comum.

Petrolina pode orgulhar-se de um de seus filhos.

Pernambuco pode celebrar um servidor público que sempre honrou as funções que lhe foram confiadas.

A FACAPE guarda a satisfação de tê-lo recebido em diversos momentos de sua caminhada profissional.

E eu, particularmente, sinto-me feliz por ter reencontrado, ainda que por acaso, um velho amigo que me proporcionou a alegria de saber que aquele jovem dedicado de outrora transformou-se em um dos mais respeitados especialistas brasileiros na área dos direitos humanos e da segurança cidadã.

A vida ensina que existem pessoas que alcançam posições importantes.

Outras, porém, alcançam algo muito maior.

Transformam suas conquistas em instrumentos para servir à sociedade.

Paulinho Moraes pertence, sem dúvida alguma, a esse seleto grupo.

E seu pai, Paulo Moraes, tem todas as razões do mundo para sorrir.

Professor universitário aposentado, administrador, contador, historiador e mestre em economia!

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