Em nota, o Palácio do Planalto diz que “repudia” a taxa, afirma que irá acionar a Lei de Reciprocidade e critica a família do ex-presidente Jair Bolsonaro
O governo brasileiro afirmou, em nota, que o “dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, por causa da aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pela administração de Donald Trump.
Por meio do comunicado distribuído pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, o governo brasileiro “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” contra os Estados Unidos.
A sobretaxa é resultado da investigação do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após Trump anunciar, em julho de 2025, uma ofensiva comercial contra o Brasil.
Esse trecho da Lei de Comércio dos Estados Unidos permite ao país investigar práticas e aplicar sanções a outras nações. Contra o Brasil, os EUA usam o Pix, o tratamento a big techs, o desmatamento, as barreiras ao etanol norte-americano e até a Rua 25 de Março, em São Paulo.
“O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais”, ressalta a nota da Secom.
O texto lembra que, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.
“Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao USTR pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil”, afirma.
Governo volta a defender o Pix
O governo brasileiro também saiu em defesa do Pix, um dos alvos de Trump. “Demonstramos que são descabidas as alegações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento”, prossegue a nota.
“O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, ressalta.
Ainda pelo comunicado, o governo brasileiro lembra que, segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.
“Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%”, cita.
Relações comerciais com outros países
O Palácio do Planalto mandou um recado forte ao governo Trump ao afirmar que continuará a “diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.
“Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, diz trecho do comunicado.
Citação à família Bolsonaro
Por fim, a nota cita a família Bolsonaro, a quem atribui a imposição de novas tarifas contra o Brasil, especialmente por meio das ações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se exilou nos EUA com a promessa de combater o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes.
“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, diz trecho do comunicado.
“Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, conclui.
Dessa maneira, o governo reforça a tentativa de associar o tarifaço ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (15/7) aponta o tarifaço como um dos fatores para o aumento na vantagem das intenções votos de Lula para Flávio.
A intenção de novo tarifaço foi anunciado pelo governo dos EUA após encontro de Flávio com Trump na Casa Trump. Eduardo Bolsonaro tem se encontrado com integrantes da administração Trump e pedido sanções contra autoridades brasileiras.
Blog do Didi Galvão

