Padre Luciano critica atuação atual do Polo Sindical e cobra foco nos problemas dos reassentamentos de Itaparica

A atuação do Polo Sindical do Submédio São Francisco BA/PE voltou a ser alvo de críticas por parte de agricultores ligados aos reassentamentos do Sistema Itaparica. Em manifestação encaminhada à imprensa, o Padre Luciano e militante histórico do movimento dos reassentados questionou a atual condução da entidade e defendeu maior atenção às demandas estruturais dos perímetros irrigados.

Segundo ele, a luta dos reassentados foi construída ao longo de décadas por meio da atuação dos sindicatos da região e do Polo Sindical, que tiveram papel fundamental na defesa dos direitos das famílias atingidas pela implantação da Barragem de Itaparica.

No entanto, ele avalia que a instituição perdeu parte de sua identidade e credibilidade junto aos produtores rurais. Em seu posicionamento, ele relembra lideranças históricas que passaram pela coordenação do Polo Sindical e afirma que o movimento já não possui a mesma força e independência que marcou sua atuação nas décadas de 1980 e 1990.

O Padre Luciano também critica o que considera uma excessiva aproximação político-partidária da entidade. Para ele, pautas importantes para os agricultores não podem ser utilizadas como instrumento de promoção política, citando especificamente discussões relacionadas ao programa de Retrofit e à reparação histórica dos reassentados.

Ainda de acordo com ele, os principais desafios enfrentados atualmente pelos perímetros irrigados continuam sem solução efetiva. Entre os problemas apontados estão a precariedade da infraestrutura de irrigação, dificuldades relacionadas ao fornecimento de energia elétrica, necessidade de revitalização dos sistemas produtivos, segurança hídrica e assistência técnica adequada.

O Padre Luciano cita ainda a situação de áreas localizadas na região jusante da Bahia e do perímetro Icó-Mandantes, em Pernambuco, que, segundo ele, enfrentam dificuldades para manter a produção agrícola e necessitam de investimentos urgentes.

Na avaliação dele, a reparação histórica dos reassentados é uma pauta legítima e importante, mas não deve substituir os investimentos necessários para garantir condições adequadas de produção e geração de renda às famílias que vivem nos reassentamentos.

Por fim, ele defende que os agricultores sejam colocados no centro das discussões e que as entidades representativas retomem o foco na busca por soluções concretas para os problemas enfrentados pelos perímetros irrigados do Sistema Itaparica.

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