Dia do Pescador: histórias de quem faz das águas o sustento da família

Quando André Luiz e os companheiros puxam a rede no rio, nunca sabem o que vão encontrar. Há dias em que o pescado garante uma boa renda; em outros, mal cobre a alimentação da família. É essa relação de trabalho, esperança e tradição que marca a vida de centenas de pescadores da Ilha de Marajó (PA), onde a pesca artesanal sustenta comunidades inteiras e atravessa gerações. No Dia Nacional do Pescador, celebrado nesta segunda-feira (29), histórias como essas mostram a importância de quem vive das águas para a economia e a cultura do país.

Na Amazônia, especificamente no município de Salvaterra, a pesca é uma das principais atividades econômicas da região. Filho de pescador, André Luiz, de 50 anos, começou ainda na infância ajudando a retirar os peixes da rede. “Quando a gente começa a puxar e vê o peixe pulando, esquece todo o sofrimento, esquece o sono e o cansaço”, revela.

Luiz Cláudio, 38, também pescador desde criança, diz que leva os filhos para o mar, mas nem tudo sai do jeito esperado. “Tem alguns que levam jeito, mas outros nem tanto”, diz, brincando. Para ambos, ter os filhos seguindo na profissão é motivo de orgulho.

Histórias das águas

A renda da pesca é incerta. Em boas saídas, uma única rede pode trazer cerca de 400 quilos de peixe. No entanto, nem sempre a maré é favorável e o retorno para a costa às vezes rende apenas para “matar a boia” – como dizem -, com dois ou três peixes.

Apesar dos momentos ruins, os pescadores contam que já tiveram pescarias que pareciam verdadeiros milagres. “Tem uns 30 anos. Lembro de puxar a rede e ter tanto peixe que a gente teve que deixar até cação ir pra conseguir voltar”, lembra André Luiz. Não por acaso, São Pedro — pescador que, segundo a tradição cristã, viveu o milagre da pesca abundante — é o padroeiro desses trabalhadores. O colega de pesca, Janer Portal, de 57 anos, conta uma situação inusitada. “Estava com um amigo e, quando foi subindo a rede, a gente não parava de ver peixe. Eu falei para cortar a corda, senão a gente ia afundar. Ele cresceu o olho e falou para a gente levar tudo. Era tanta pescada amarela que a canoa estava afundando. Se eu não cortasse a rede, a gente ficava no meio do rio”, lembrou ele.

Em uma rotina pesada, que muitas vezes começa às cinco da manhã, dependendo da maré, a expectativa acompanha os pescadores a cada rede lançada. “Você vê subindo: se já tem peixe é alegria, mas se não tem nada, a cada segundo vai dando esperança de que eles vão aparecer pulando; é aquele pensamento de que sair no rio valeu a pena”, observa André.

Festa na comunidade – A comemoração do Dia do Pescador em Marajó é marcada por uma procissão de embarcações ao longo da baía da ilha. Os pescadores enfeitam os barcos, saem em procissão e celebram com festa. Como lembra Luiz Cláudio, até mesmo os meninos que seguem uma profissão diferente da pesca ficam empolgados. Toda a comunidade costeira se envolve na celebração daqueles profissionais que são essenciais na economia da região.

Assessoria de Comunicação Social do MIDR

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