Sertão do São Francisco segue sem Hospital Regional Estadual enquanto outras regiões avançam

O Governo de Pernambuco republicou no final de 2025 a licitação para construção do Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns, com investimento estimado em cerca de R$ 153 milhões e previsão de estrutura com mais de 240 leitos, reforçando a rede de saúde do Agreste Meridional.

A iniciativa evidencia um avanço importante na interiorização da saúde pública, mas também escancara uma desigualdade histórica: o Sertão do São Francisco continua sendo a única região sem um hospital regional próprio. Importante destacar que o antigo Traumas é agora o Hospital Universitário, gerido pelo Governo Federal, e que sua capacidade já não suporta adequadamente as necessidades da região.

Enquanto novas unidades são planejadas e executadas em diversas regiões do estado, o mapa da saúde pública mostra uma distribuição mais estruturada em outros territórios. No Sertão do Araripe, a população conta com o Hospital Regional Fernando Bezerra, em Ouricuri. Já no Sertão Central, o Hospital Regional de Salgueiro. No Pajeú, cidades como Serra Talhada concentram importantes equipamentos, como o HOSPAM e o Hospital Eduardo Campos, consolidando a regionalização da assistência.

No Agreste, o cenário é ainda mais robusto. Caruaru dispõe do Hospital Mestre Vitalino e do Hospital Regional do Agreste, enquanto Garanhuns já conta com o Hospital Dom Moura e se prepara para receber o novo Hospital Mestre Dominguinhos, ampliando significativamente a capacidade de atendimento na região. 

Em contrapartida, o Vale do São Francisco — que abrange municípios estratégicos como Petrolina, Cabrobó, Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande, Afrânio e Dormentes — permanece sem um hospital regional estruturado, obrigando a população a depender de unidades sobrecarregadas ou deslocamentos para outras regiões, a exemplo de unidades baianas por conta de Rede PEBA.

Diante desse cenário, cresce a defesa pela implantação do Hospital Regional do Sertão do São Francisco, uma proposta que prevê cerca de 240 leitos e atendimento em áreas essenciais como cirurgia geral, nefrologia, ortopedia, clínica médica e cardiologia. A iniciativa surge como uma necessidade urgente para equilibrar a rede estadual de saúde e garantir atendimento digno para milhares de sertanejos.

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