Contrariando o governo Lula, EUA avançam para classificar PCC e CV como grupos terroristas

O governo Lula já havia se posicionado contra a medida, e a decisão americana pode ter tido influência de Eduardo Bolsonaro.

O combate americano ao narcoterrorismo pode chegar ao Brasil, isso porque as duas principais facções do país, o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, podem ser incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras pelos EUA.

O tema não é novidade. A Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro já havia enviado documentos aos EUA pedindo a inclusão do CV na lista.

Na ocasião, o governo Lula se posicionou contra, argumentando que as facções não teriam motivações políticas ou ideológicas.

Por trás do avanço da pauta em Washington, segundo o UOL, está Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado teria pedido aos presidentes Javier Milei e Nayib Bukele que ajudassem na iniciativa junto ao governo Trump.

O movimento já está avançando. A documentação foi concluída pelo Departamento de Estado e já passou pela avaliação de outras agências americanas.

O processo segue o mesmo padrão adotado por Trump com outros grupos da América Latina, como o Cartel de Jalisco, do México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.

Após a análise final de Marco Rubio, o documento seguirá para o Congresso e o Registro Federal, etapa que pode levar até duas semanas.

O tema da segurança pública já foi tratado pela Brasil Paralelo. Em 2022, a produção Entre Lobos reuniu mais de 50 especialistas em segurança e relatos de quem dedica a vida ao combate à criminalidade. Clique aqui e saiba como assistir.

Influência de Eduardo Bolsonaro

Segundo o UOL, foi Eduardo Bolsonaro quem articulou, junto aos presidentes Javier Milei e Nayib Bukele, o avanço da classificação das facções brasileiras como terroristas em Washington.

Os dois presidentes estiveram com Trump para o encontro de Líderes da América que foi chamada de “Escudo das Américas” e contou com a presença de 12 líderes. O presidente Lula não foi convidado.

O governo brasileiro já foi contra a classificação

O presidente brasileiro se opõe à medida e já comunicou isso aos Estados Unidos em diferentes ocasiões. O argumento é que nem o PCC nem o CV possuem motivações políticas ou ideológicas.

Em outubro de 2025, o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou:

“Não temos nenhuma intenção de fazer uma mescla desses dois tipos de atuação. Até porque isso dificultaria muito o combate desses tipos de criminosos.”

Para Lewandowski, a distinção é essencial.

“O terrorismo envolve sempre uma nota ideológica, atuação política e repercussão social. As facções criminosas são constituídas por grupos de pessoas que sistematicamente praticam crimes capitulados na legislação do país.”

O governo também teme que a classificação poderia facilitar a intervenção militar americana no Brasil.

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