Uma expedição científica realizada entre os dias 12 e 16 de janeiro de 2026 percorreu o trecho do Rio São Francisco entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), realizada pelo Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), equipamento da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), com o objetivo principal de confirmar a ocorrência de uma espécie rara de bagre, Pseudotatia parva, em sua localidade-tipo (local onde a espécie foi coletada pela primeira vez e descrita originalmente). Embora a espécie-alvo não tenha sido registrada nesta etapa, os resultados obtidos representam avanços significativos para o conhecimento e a conservação da biodiversidade aquática do Velho Chico.
Durante os trabalhos de campo, foram registradas mais de 40 espécies de peixes, além da obtenção de novos registros de ocorrência de espécies ameaçadas de extinção, como o surubim (Pseudoplatystoma corruscans) e o dourado (Salminus franciscanus). A expedição também possibilitou a formação de um banco de tecidos que será utilizado em futuras análises moleculares de 15 espécies de peixes, ampliando a base de dados científicos sobre a ictiofauna do rio. Os trabalhos de campo foram executados por equipes de Analistas Ambientais e Marinheiros, sob a coordenação do Cemafauna, que contou com o apoio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental (CEPTA), órgão vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Os dados obtidos durante a expedição serão utilizados em avaliações de risco de extinção de espécies de peixes e irão subsidiar debates técnicos em oficinas do Plano de Ação Nacional para Conservação de Espécies Ameaçadas da Fauna Aquática do Rio São Francisco (PAN São Francisco), também coordenado pelo CEPTA/ICMBio. O plano reúne pesquisadores e instituições com foco na definição de estratégias integradas de conservação para o principal rio do Nordeste. Uma nova expedição está prevista para fevereiro de 2026, com o objetivo de complementar os resultados já alcançados e intensificar a busca pela espécie-alvo.
Texto: Jaquelyne Costa
Assessora de Comunicação do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna/Univasf)
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