30 milhões de animais, como o cão Orelha, vivem nas ruas do Brasil

A morte do cachorro Orelha revela o drama de milhões de animais que sobrevivem ao abandono e à violência no Brasil. Em 2025, cerca de 30 milhões de animais domésticos — entre cães e gatos — estavam em situação de abandono no país

Por Maria Fernanda Garcia

Assim como o cachorro Orelha, brutalmente espancado por adolescentes na Praia Brava, em Santa Catarina, e que infelizmente não resistiu, milhões de animais vivem diariamente a dor do abandono no Brasil.

Em 2025, cerca de 30 milhões de animais domésticos — entre cães e gatos — estavam em situação de abandono no país, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de entidades de proteção animal. No mesmo ano, os casos de maus-tratos também cresceram de forma alarmante: foram 625 ocorrências registradas, contra 426 no mesmo período de 2024.

Os números revelam uma realidade dura e persistente, que vai além das ruas. Um estudo realizado pela Mars Petcare, em parceria com um grupo global de especialistas, aponta que o abandono ameaça inclusive animais que hoje têm um lar. Segundo a pesquisa, 11% dos tutores de cães e 13% dos tutores de gatos afirmaram considerar a possibilidade de abrir mão do pet nos próximos 12 meses.

Entre os principais motivos apontados estão a incapacidade física para cuidar do animal (28%), a mudança de residência (24%), a falta de tempo (17%) e o alto custo para manter o pet (16%). Situações que evidenciam a falta de planejamento e de políticas públicas eficazes voltadas à guarda responsável.

Com o aumento do abandono, os abrigos e lares temporários enfrentam superlotação. A maioria dessas instituições não recebe verba governamental e sobrevive exclusivamente de doações. Apenas no primeiro semestre de 2025, foram registradas 5.325 entradas de cães e gatos em abrigos e casas de acolhimento temporário em todo o país.

Abrigos que resistem

Fundado em agosto de 2010, o Instituto Ampara Animal completa 15 anos de atuação dedicada à proteção e ao bem-estar dos animais no Brasil. Criado por Juliana Camargo, Marcele Becker, Raquel Facuri e Cassiana Garcia, o Instituto se consolidou como uma das principais organizações de defesa animal do país.

A entidade promove ações de adoção responsável, castração, atendimento veterinário, além de atuar no resgate de fauna silvestre. São mais de 24 mil adoções de cães e gatos por ano e cerca de 61 mil animais castrados ao longo de sua trajetória. O Instituto também distribui medicamentos e ração para centenas de milhares de pets em situação de vulnerabilidade.

Uma das frentes mais importantes do trabalho do Ampara Animal é o combate ao abandono e aos maus-tratos, por meio de campanhas educativas, mutirões de castração e ações emergenciais de assistência.

Como ajudar?

Assim como o Instituto Ampara Animal, existem ONGs espalhadas por todo o Brasil que atuam diariamente no resgate, cuidado e proteção de animais abandonados. Para continuar esse trabalho, essas organizações dependem de doações, voluntariado e divulgação.

O Observatório do Terceiro Setor reuniu uma lista com 7 ONGs brasileiras que atuam na proteção animal.

Clique aqui e conheça o trabalho de cada uma delas.

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