Consórcio com Odebrecht e grupo chinês vence leilão da Rota dos Sertões que vai de Salgueiro (PE) a Feira de Santana (BA)

Grupo 116 Sertões, formado por NEO Invest, Mota-Engil e Infra I, venceu a concessão da Rota dos Sertões com desconto de 19,60% na tarifa

Por Vanessa Siqueira – Movimento Econômico

O Consórcio 116 Sertões foi o vencedor do leilão da concessão da BR-116/324/ BA/PE, a Rota dos Sertões, que liga Feira de Santana (BA) à Salgueiro (PE), realizado na tarde desta quinta-feira (28) na sede da B3, em São Paulo. A proposta final apresentou a menor tarifa de pedágio, com desconto de 19,60% e prevê um investimento de R$ 8,53 bilhões pelos próximos 30 anos.

O contrato prevê R$ 4,13 bilhões em obras de ampliação e modernização e R$ 4,40 bilhões em custos operacionais ao longo das três décadas de concessão. O trecho que foi leiloado esteve sob gestão da ViaBahia desde 2009. A concessionária devolveu a administração das vias em 15 de maio de 2025, e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) assumiu provisoriamente a operação. A ANTT realizou audiências públicas entre 15 de abril e 29 de maio de 2025 para subsidiar o Plano de Outorga que definiu as diretrizes da nova concessão.

O leilão contou com três propostas apresentadas, sendo a melhor delas a do Consórcio 116 Sertões, formado pela NEO Invest, pela portuguesa Mota-Engil e pelo Infra I Fundo de Investimento.

O grupo representa o retorno da Odebrecht às disputas por concessões federais de rodovias, setor do qual a empresa saiu ao vender ativos nos desdobramentos da Operação Lava Jato. A Mota-Engil tem participação acionária da CCCC (China Communications Construction Company), grupo chinês de infraestrutura.

Durante a leitura das propostas, o grupo ofereceu proposta de 18,17% de desconto sobre a tarifa básica de pedágio.

A Atlas Rodovias, consórcio formado pelo Infra Brasil Fundo de Investimento e pela Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano, ofereceu proposta de desconto sobre a tarifa básica de pedágio de 16%.

Já o Consórcio Via dos Sertões, formado pelos grupos Aspen e DMDL, apresentou proposta de 13,10%, mas não foi selecionado para a etapa de lances por viva voz.

Na etapa de lances por viva voz, a variação mínima em relação a maior proposta, do consórcio de 116 Sertões, foi definida em 0,10%. A proposta de 19,60% oferecida pelo consórcio 116 Sertões não foi superada, sendo assim eleito vencedor do leilão.

Nordeste estreia na carteira de concessões rodoviárias

Representando o consórcio vencedor, o diretor superintendente da Nova Infra Invest, André Rabelo, disse que assumir a concessão da Rota dos Sertões possui um significado estratégico para o grupo alavancar os negócios na região.

“Foram vários meses de estudo com muita disciplina e dedicação, onde a vontade de servir a essas comunidades com excelência é nosso grande motor motivacional. Temos plena consciência da responsabilidade que assumimos a partir de agora. É um compromisso com a sociedade e com o poder concedente, está muito claro. Vamos ser um exemplo de gestão operacional, garantindo a segurança aos usuários e impulsionando a eficiência logística que o desenvolvimento do Nordeste exige e merece”, afirmou.

A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, disse que o banco foi responsável pela estruturação da operação e que houve um esforço do governo federal em ouvir todos os players para conseguir destravar o setor de infraestrutura brasileiro e garantir investimentos para as rodovias, como a Rota dos Sertões.

O diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, falou que o leilão recebeu projetos bem estruturados, que atendem as necessidades do poder público e da sociedade, afirmando que o leilão garante segurança pelos próximos 30 anos.

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o leilão marca a entrada do Nordeste na carteira de concessões rodoviárias do governo federal. Segundo ele, o projeto representa um corredor logístico estratégico ao ligar Feira de Santana, na Bahia, a Salgueiro, em Pernambuco, conectando a BR-116 à Transnordestina e fortalecendo a integração entre rodovia e ferrovia.

Santoro destacou que o contrato da Rota dos Sertões prevê mais de R$ 4 bilhões em investimentos, mais de 500 quilômetros concedidos, cerca de 90 quilômetros de duplicação e 41 quilômetros de multifaixas. O ministro também ressaltou que a modelagem econômica buscou garantir modicidade tarifária, com a menor tarifa quilométrica do atual ciclo de leilões rodoviários do governo federal.

“É um corredor logístico muito importante no Nordeste. A gente vai ligando Feira a Salgueiro, com mais de R$ 4 bilhões de Capex, mais de 500 quilômetros, cerca de 90 quilômetros de duplicação e 41 quilômetros de multifaixas. É um projeto que vai melhorar a capacidade de escoamento da região, vai transformar a região. Eu não tenho dúvida disso”, afirmou George Santoro.

Rota dos Sertões é corredor estratégico para o Nordeste

O trecho que foi concedido ao consórcio 116 Sertões atravessa 16 municípios entre o anel viário de Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), ponto de cruzamento com a BR-232 e principal acesso terrestre ao Sertão pernambucano. Na Bahia, integram a concessão Abaré, Araci, Canudos, Chorrochó, Euclides da Cunha, Feira de Santana, Lamarão, Macururé, Quijingue, Santa Bárbara, Serrinha, Teofilândia e Tucano.

Em Pernambuco, estão Belém do São Francisco, Cabrobó e Salgueiro. O contrato prevê R$ 4,13 bilhões em obras de ampliação e modernização e R$ 4,40 bilhões em custos operacionais ao longo das três décadas de concessão.

Além da relevância industrial e urbana, a Rota dos Sertões também exerce papel fundamental para o agronegócio e para a economia do semiárido nordestino. Municípios como Euclides da Cunha possuem forte atividade agropecuária, com destaque para produção de feijão, milho, mandioca, apicultura e pecuária.

Feira de Santana também é ligado ao Centro Industrial do Subaé (CIS), considerado o terceiro maior polo industrial da Bahia, atrás apenas do CIA e do Polo de Camaçari, que depende do fluxo na BR-116 para poder escoar sua produção.

Nesse contexto, a BR-116 funciona como eixo essencial para conectar o sertão aos centros de distribuição, aos mercados consumidores e aos portos da região.

O projeto integra a Estruturação de Concessão de Rodovias Federais – 2, parceria entre o banco e o Ministério dos Transportes iniciada em 2020, e é o quinto lote levado a leilão no âmbito desse contrato. O processo de controle social foi conduzido por meio da Deliberação nº 477, de 21 de novembro de 2024, na Audiência Pública nº 9/2024, com apresentação de contribuições sobre as minutas do edital e do contrato, o Programa de Exploração da Rodovia e os estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.

Também estão previstas a duplicação de 108,2 km da BR-116, a implantação de 44,5 km de vias marginais, 7,1 km de contornos urbanos, 5 km de faixas adicionais, além de passarelas, dispositivos de acesso, sistemas inteligentes de monitoramento, serviços de atendimento ao usuário, ambulâncias, guinchos e um Ponto de Parada e Descanso (PPD) para caminhoneiros.

Verifique também

Prefeitura cancela festa de São João após PF apontar suspeitas de superfaturamento em merenda escolar

Decisão foi anunciada pelo prefeito Valderico Júnior em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

planetsorare.com/pt/ bonus de cassino online