A cada ano que se passa, é possível perceber que as praças e estradas pelo Brasil estão cada vez mais cheias de homens e mulheres alheios aos olhos da sociedade. A população de gente sem endereço aumenta e parece não preocupar nem um pouco as autoridades desse amado Brasil. Gente que vai e gente que vem, sem saber se faz parte de alguma estatística.
A cada quilômetro rodado em alguma estrada desse imenso Brasil, você se depara com cenas que mais parecem ficção. Na verdade, são reais e, infelizmente, não incomodam ninguém, parecem muito naturais, ao ponto de sequer serem vistos pelos olhos do Poder Público. Gente que sente fome e sede, gente que sente dor, enxerga e não é vista, grita e não é ouvida.
O que mais chama a atenção nesse país de tantos hipócritas é ver gente em defesa de quem já é de certa forma privilegiado pelo Poder Público. Discursos eloquentes, conhecimento profundo de causas. Parece até um super-herói da Nação. Ou quem sabe, como fez a Globo com Fernando Collor de Mello, aí está o salvador da Pátria Amada Brasileira.
Claro que há uma justificativa para esse tipo de comportamento: os invisíveis da Pátria não têm título de eleitor. Como poderia então que esses heróis da Nação, os Salvadores da Pátria, deixassem de entrar na defesa dos doutores do Brasil para entrarem em defesa dos esquecidos do Poder Público? Tem muito doutor na política que, no auge de sua hipocrisia, pensa que todo mundo é besta.
Blog do Didi Galvão

